Na Universidade de Maryland, um tutor de IA ligado ao material do curso não melhorou a nota dos alunos. Nas turmas da mesma disciplina, a nota final caiu cerca de 4 pontos em 100, e a participação nas atividades online também caiu. Só 15% dos alunos com acesso usaram a ferramenta. Para escolas e cursos, a lição vale para a matrícula: IA sem roteiro e sem equipe por perto não melhora o resultado.
Este é o quarto texto da série Arquivos de IA · Educação. No estudo de Stanford, a IA trabalhou ao lado do tutor humano e melhorou o resultado. No estudo da Khan Academy, o tutor de IA esperava o aluno chamar. Aqui, ele ficou na configuração padrão, e a nota não subiu.
Este artigo é da Clint. Os números vêm do working paper de Jing Liu, Tracy Sweet e outros pesquisadores da Universidade de Maryland, publicado em outubro de 2026 e ainda sem revisão por pares.
O estudo em 30 segundos
4 pontos
a menos na nota final, numa escala de 0 a 100, nas turmas da mesma disciplina
15%
dos alunos com acesso usaram o tutor de IA ao menos uma vez
73,8%
dos pedidos ao tutor eram por resposta pronta
Fonte: Liu, Sweet e outros, Universidade de Maryland, EdWorkingPaper 26-1598 (outubro de 2026). 2.379 alunos e 30 professores no semestre de outono de 2025.
Quais são as 5 lições do estudo do tutor de IA de Maryland?
O estudo deixa cinco lições para quem atende e matricula alunos:
- Deixar a IA disponível não faz as pessoas usarem.
- Quem usa a IA quer resposta pronta.
- A configuração padrão decide o resultado.
- A IA não pode tirar a pessoa da conversa.
- Quem tem menos apoio perde mais.
O que o estudo da Universidade de Maryland testou?
O estudo testou um tutor de IA dentro da plataforma das disciplinas, no semestre de outono de 2025, com 2.379 alunos de graduação e 30 professores de exatas, humanas e ciências sociais. O sorteio foi por professor: em cada grupo de disciplinas iguais ou parecidas, parte das turmas recebeu o tutor e parte seguiu sem ele.
O tutor usava o GPT-4o e respondia com base no material do curso. O professor escolhia entre dois modos: resposta direta, que era o padrão, e modo tutor, que conduz o aluno até a resposta. O resultado mais firme veio das turmas da mesma disciplina, com 1.353 alunos e 22 professores, em que conteúdo e correção eram iguais nos dois grupos.
Lição 1
Deixar um tutor de IA disponível faz as pessoas usarem?
Não. Só cerca de 15% dos alunos com acesso usaram o tutor ao menos uma vez no semestre, em média em torno de 4 sessões. O uso subia perto das provas e caía entre elas. A Khan Academy informou um número parecido: só cerca de 15% dos alunos com acesso usavam o seu tutor de IA.
Por que importa para a matrícula. Uma IA que espera ser chamada repete esse resultado no atendimento. Um número de WhatsApp com resposta automática não faz a conversa acontecer. O interessado que pergunta o valor só segue se receber uma resposta útil e uma pergunta que leve ao próximo passo.
Na sua escola
Compare, no último mês, quantas pessoas mandaram a primeira mensagem e quantas responderam à segunda. Se a conversa para depois da primeira resposta, essa resposta precisa tirar a dúvida e terminar com uma pergunta, como o curso de interesse ou o melhor horário.
Lição 2
Para que os alunos usaram o tutor?
Para pegar a resposta pronta. Dos 3.460 pedidos feitos ao tutor, 73,8% pediam informação, explicação ou a solução de um exercício. Só 0,7% pediam retorno sobre um trabalho do próprio aluno.
O que os alunos pediram ao tutor de IA
Percentual dos 3.460 pedidos feitos ao tutor no semestre
Informação, explicação ou solução pronta
73,8%
Exercícios e preparação para prova
11,3%
Onde achar material, prazos e regras do curso
7,6%
Outros ou sem objetivo claro
6,6%
Retorno sobre o próprio trabalho
0,7%
Fonte: Liu, Sweet e outros, Universidade de Maryland, EdWorkingPaper 26-1598 (outubro de 2026).
Os autores não afirmam que esse tipo de pedido causou a queda na nota. Eles leem o padrão como uso para obter a resposta, e não para tentar, receber retorno e corrigir.
Por que importa para a matrícula. No atendimento, o interessado também quer resposta direta: valor, horário, duração, início da turma. Aqui, esse é o comportamento esperado. O erro é configurar a IA para o trabalho errado. A IA de atendimento responde o que pode ser respondido, entende o que a pessoa procura e leva a conversa para a próxima etapa.
Na sua escola
Liste as dez perguntas que mais chegam no WhatsApp. Para cada uma, defina a resposta curta, a pergunta de volta que descobre o perfil do interessado e o próximo passo: aula experimental, visita ou conversa com a equipe.
Lição 3
A configuração padrão de um tutor de IA muda o resultado?
Muda, e quase ninguém mexeu nela. Só 2 professores terminaram o semestre no modo tutor; os outros terminaram no modo de resposta direta. Entre os professores que responderam à pesquisa do estudo, todos falaram do tutor com os alunos, 40% mostraram como usá-lo e nenhum o colocou dentro de uma tarefa. Os autores escrevem que o resultado poderia ser diferente com mais treinamento dos professores.
Por que importa para a matrícula. A IA que entra no atendimento na configuração de fábrica responde do jeito da ferramenta, e não do jeito da escola. Ela não sabe que perguntas fazer, quando oferecer a aula experimental nem quando chamar a secretaria. A IA opera e a equipe calibra.
Na sua escola
Antes de ligar a IA, escreva em uma página as perguntas que a secretaria já faz: curso de interesse, objetivo, turno e quando quer começar. Esse roteiro é a configuração. Depois, leia algumas conversas toda semana e ajuste o que a IA respondeu mal.
Lição 4
A IA afasta as pessoas da equipe?
No estudo, afastou os alunos das atividades do curso. Nas turmas com o tutor, a participação na plataforma, que soma respostas em fóruns, envios e questionários, caiu 0,90 desvio-padrão, a maior queda entre tudo o que o estudo mediu. A entrega da lição de casa não mudou.
Na pesquisa de fim de semestre, 57% dos alunos com o tutor disseram ter feito menos perguntas ao professor, contra 44% dos alunos sem ele. Só 18% dos alunos responderam, então o dado indica uma tendência, e não uma medida exata.
Por que importa para a matrícula. Na escola, o equivalente é a IA segurar a conversa que precisava de uma pessoa. Desconto, exceção ou insegurança do interessado pedem alguém da equipe. Se a passagem não acontece, ou acontece sem histórico, a pessoa repete tudo ou desiste.
Na sua escola
Defina por escrito quando a IA passa a conversa para a equipe: pedido de desconto, dúvida fora do roteiro, reclamação ou pedido para falar com alguém. Na passagem, a equipe recebe o curso de interesse, o que já foi respondido e o que ficou pendente.
Lição 5
Quem perde mais quando a IA entra sem apoio?
Quem já tinha menos apoio. Entre os alunos de primeira geração na faculdade, os primeiros da família a cursar o ensino superior, a nota caiu 0,50 desvio-padrão. Entre os demais, 0,22. A perda foi mais que o dobro. Os autores tratam isso como o padrão mais consistente entre os grupos de alunos.
Por que importa para a matrícula. No atendimento, quem tem menos repertório é quem mais precisa de orientação: quem nunca fez um curso ou não sabe a diferença entre as modalidades. Um roteiro único, feito para quem já sabe o que quer, deixa essa pessoa sem caminho.
Na sua escola
Inclua no roteiro da IA um caminho para quem não sabe por onde começar. Se a pessoa escreve “nunca estudei inglês e não sei qual turma é a minha”, a IA faz duas ou três perguntas simples e oferece uma conversa com a equipe ou uma aula experimental, em vez de mandar a tabela de cursos.
O que o estudo de Maryland não provou?
Não provou que todo tutor de IA piora a nota. Na amostra completa, com os 2.379 alunos, os autores não encontraram evidência significativa de queda. A queda de 0,37 desvio-padrão, cerca de 4 pontos em 100, aparece nas turmas da mesma disciplina, em que a comparação é mais justa.
Os autores declaram outros limites. O estudo mediu a nota dada pelo professor, e não uma prova independente. E os alunos dos dois grupos tinham acesso a outras IAs, como o ChatGPT e o Gemini, então o efeito pode vir de uma mudança no uso de IA em geral na turma. Em outro desenho, no estudo de Stanford sobre IA na educação, a IA falava só com o tutor humano e os alunos ficaram 4 pontos percentuais mais propensos a dominar o conteúdo.
Como o estudo de Maryland se aplica ao atendimento da escola?
A tabela abaixo traduz o estudo do tutor de IA para o atendimento de escolas e cursos pelo WhatsApp.
| No estudo | Na sua escola |
|---|---|
| Só 15% dos alunos com acesso usaram o tutor | A resposta precisa levar ao próximo passo, ou a conversa para |
| 73,8% dos pedidos eram por resposta pronta | O interessado quer resposta direta; a IA responde e descobre o perfil |
| Só 2 professores saíram do modo padrão | IA sem o roteiro da escola responde do jeito da ferramenta |
| A participação na plataforma do curso caiu 0,90 desvio-padrão | A IA passa para a equipe a conversa que precisa de uma pessoa |
| Alunos de primeira geração perderam mais que o dobro | Quem não sabe por onde começar precisa de um caminho próprio |
Por onde a escola deve começar?
Por uma etapa só, com roteiro e regra de passagem para a equipe. O estudo do tutor de IA de Maryland mostra que ligar a ferramenta não basta. Na escola, isso vira cinco passos:
- Escolha uma etapa: o primeiro contato no WhatsApp, antes da negociação.
- Escreva o roteiro com as perguntas que a secretaria já faz.
- Defina quando a IA passa a conversa para a equipe e o que vai junto.
- Crie um caminho para quem não sabe qual curso escolher.
- Leia conversas toda semana e meça quantos interessados chegam à aula experimental e à matrícula.
Para ver por que a IA precisa ir até o interessado, leia as 5 lições do estudo da Khan Academy sobre IA na educação. Para entender onde os professores já usam IA, veja as 5 lições das pesquisas sobre professores que usam IA.
Os 7 Arquivos de IA na educação
O estudo de Maryland é um dos 7 arquivos do material gratuito da Clint, o CRM com IA de quem vende pelo WhatsApp. Ele reúne o que EUA, Europa e China já descobriram sobre IA na educação, inclusive quando a IA deu errado, e o que cada achado muda no atendimento e na matrícula.
Veja os 7 Arquivos de IA na educação
Gratuito. Leitura de 4 minutos.
Perguntas frequentes sobre o estudo do tutor de IA de Maryland
Tutor de IA prejudica o aprendizado?
Depende de como ele entra no curso. No estudo da Universidade de Maryland, o tutor de IA na configuração padrão não melhorou a nota e reduziu a participação dos alunos. No estudo de Stanford, a IA trabalhou ao lado do tutor humano e melhorou o resultado.
Quanto a nota caiu no estudo de Maryland?
Nas turmas da mesma disciplina, 0,37 desvio-padrão, cerca de 4 pontos numa escala de 0 a 100. Na amostra completa, com 2.379 alunos, os autores não encontraram evidência significativa de queda.
Quantos alunos usaram o tutor de IA?
Cerca de 15% dos alunos com acesso, ao menos uma vez no semestre.
O estudo de Maryland foi revisado por pares?
Ainda não. É um working paper publicado no EdWorkingPapers, do Annenberg Institute da Universidade Brown, em outubro de 2026.
O que uma escola pode aproveitar do estudo no WhatsApp?
Que a IA no atendimento precisa do roteiro da escola, de uma regra de passagem para a equipe e de um caminho para quem não sabe por onde começar.
Fontes
- Liu, J.; Sweet, T. e outros. The Effects of Course-Integrated AI Tutoring on Student Performance and Engagement: A Randomized University Trial. EdWorkingPaper 26-1598, Annenberg Institute da Universidade Brown, outubro de 2026.
- Khan Academy. Learning in the Open: What AI Is (and Isn’t) Changing, 2026.
- Wang, R. e outros. Tutor CoPilot: A Human-AI Approach for Scaling Real-Time Expertise. Universidade Stanford, 2024.
Última atualização: outubro de 2026.


